Abusar dos fones de ouvido pode prejudicar seus ouvidos

Atualizado el11 de abril de 2018, 19:12

Com players de música, rádio, celular… Cada vez mais pessoas usam habitualmente fones de ouvido, não só na rua, mas também em seus locais de trabalho. E até mesmo, muitas vezes são também usados em casa para ver séries, filmes ou vídeos do YouTube no tablet sem perturbar o resto da família.

Sabemos que colocar o volume bem alto é prejudicial. Mas ou não fazemos caso, ou não somos realmente consciente de até que ponto pode danificar nossos ouvidos e causar outros problemas de saúde.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SEORL-CCC), a metade dos jovens espanhóis entre os 12 e os 35 anos, expõe de forma contínua a níveis de ruído excessivos e prejudiciais.

E o número poderia ser ainda maior se considerarmos que muitas crianças começam a usar os fones de ouvido antes, e que grande parte dos adultos acima desta idade também costumam usar.

Se é o seu caso, deverá ter em conta as seguintes precauções.

Ajusta o limite do volume

O seu leitor de música ou móvel tem limitador de volume? Certamente sim, mas talvez nem sequer o procurou na secção Definições do seu dispositivo.

“A legislação da União Europeia estabelece que todos os tocadores pessoais de música que são vendidos na UE, incluindo os telefones celulares que permitem a reprodução de música, devem ter um limite padrão de saída de som de 85 dB (decibéis) automático com a ignição“, explica a Saber Viver a doutora M. ª José Lavilla, presidente da Comissão de Audiology da SEORL-CCC.

O usuário pode aumentar estes níveis até um máximo de 100 dB, “mas, neste caso, deve aparecer um aviso sobre os riscos de seu uso acima dos níveis de segurança a cada 20 horas.

É dizer, que o sistema nos avisa que estamos em intervalo perigoso, mas no final somos nós que decidimos voluntariamente se nos cuidamos ou assumimos o risco”, adverte a especialista.

Daí a importância de comprar sempre dispositivos que cumpram a legislaçãoeuropeia e de selecionar os Ajustes , o limite de volume da UE, opção que oferecem muitos dos aparelhos.

Quanto equivale a 85 dB?

Talvez o valor de 85 dB não se diga nada. Mas se a compara com os níveis de outros ruídos muito comuns, a certeza de que você vai perceber o que representa para os seus ouvidos de ouvir a música alta, especialmente se você enviar o limitador a 100 dB.

Dê uma olhada nesta lista:

  • Avião decolando: 140 dB.
  • Martelo pneumático: 130 dB.
  • Show de rock: 120 dB.
  • Casa noturna, fogos de artifício e pirotecnia: 110 dB.
  • Motocicleta e buzina de carro: 90 dB.
  • Tráfego rodoviário na cidade: 80-85 dB.
  • Aspirador de pó: 65 dB.
  • Conversa normal: 50-60 dB.
  • Ondas suaves do mar: 30 dB.
  • Cantar dos pássaros: 10 dB.

É dizer, a ouvir música, a 85 dB é como estar durante o mesmo tempo exposto ao ruído constante do tráfego. E aumentar voluntariamente esse limite de 100 dB ultrapassaria o barulho de uma buzina e se aproximaria do que os fogos de artifício.

Reduz o tempo que você usa os fones de ouvido

Mas o volume não é o único fator que devemos levar em conta na hora de proteger os nossos ouvidos. “Para evitar uma lesão auditiva, além de limitar a intensidade, há que limitar o tempo de exposição.

A partir de um nível de 80 dB para cada 3 dB que aumentar o som tem que se reduzir o tempo de exposição pela metade“, conta a doutora Lavilla.

É dizer, que se você é dos que vão, com os capacetes postos em todos os lugares, ou os utiliza até mesmo no trabalho, deverá ter em conta os seguintes limites de tempo para não colocar em risco a sua saúde auditiva:

  • A 80 dB, no máximo 8 horas por dia (ou contando 5 dias, 40 horas por semana).
  • A 83 dB, 4 horas por dia.
  • A 86 dB, 2 horas por dia.
  • A 89 dB, não mais do que 1 hora por dia.

E se você alterar as configurações de seu aparelho acima destes limites, tenha em conta que os riscos para os seus ouvidos subir e o tempo máximo de exposição recomendado já não se conta em horas, mas em minutos:

  • A 95 dB, no máximo 15 minutos por dia.
  • A 104 dB, não mais de 2 minutos ao dia.

A fórmula 60-60, mais simples

Outra maneira de fazer um uso responsável dos leitores de música para prevenir o aparecimento precoce de perda auditiva é aplicando a regra 60-60. Consiste em não usar esses aparelhos, mais de 60 minutos por dia e não exceder 60% do volume permitem.

“Nossos ouvidos são para a vida toda, e você tem que cuidar deles”, alerta a doutora Lavilla. E, para isso, é essencial seguir o que os especialistas chamam de “a dieta contra o ruído”, que além de limitar o volume e tempo inclui evitar os ambientes ruidosos e os ruídos impulsivos (de curta duração, mas muito intensos, tipo de impacto ou explosão), nos afastar das fontes de ruído (por exemplo, os alto-falantes em um show ou disco) e usar protetores auditivos se não pode evitar a exposição ao ruído intenso ou durante um período prolongado.

Usa-se preferencialmente os de tipo capacete

Mas além de seguir todas essas precauções, é importante também o tipo de fones de ouvido que está a utilizar. E modas à margem, os de tipo capacete são mais recomendáveis.

A doutora Lavilla nos explica que “os capacetes são menos nocivos do que os que são inseridos no interior do ouvido (auscultadores de inserção). A razão é que a intensidade do som com o insertor não se dispersa (como acontece com os fones de ouvido), concentra-se no canal do ouvido (canal auditivo externo) e , além disso, está mais próximo ao ouvido interno, a cóclea“.

Perda auditiva precoce e outros riscos

A Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SEORL-CCC), alerta de que a exposição contínua dos jovens a níveis de ruídos excessivos, tanto por ouvir música com fones de ouvido, como por assistir a concertos ou locais de entretenimento, com música muito alta, está fazendo com que se esteja avançando cerca de 20 anos, a ocorrência de perda auditiva associada à idade.

Ou seja, as pessoas de 40 anos estão sofrendo distúrbios auditivos que até agora eram típicos de pessoas com mais de 60 anos.

Mas, além da perda de audição, pode causar outros problemas:

  • Zumbido ou zumbido, ouvir zumbidos ou vaias, sem que haja uma fonte aparente ou de uma fonte externa que os provoque.
  • Hiperacusia ou algiacusia, maior sensibilidade aos sons ambientais, que podem chegar a ser irritantes, dolorosos ou insuportáveis.
  • Fadiga auditiva, diminuição temporária da audição.
  • Dores de cabeça, vertigens, insônia, irritabilidade e diminuição da atenção ou da memória.

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